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2.7.10

O manifesto do amor igual.


Há aqueles que se afogam em culpa, mergulhados em arrependimentos e tristezas. Com mágoa até o pescoço, são incapazes de dar um passo em direção à costa. Eu resolvi nadar e escrever um S.O.S bem grande na praia. Mas não espero salvação alheia. Não torço por respiração boca-a-boca. É hora de secar ao sol e andar na areia.

Eu não sei gostar. Acredite, isso é pior do que não saber amar. O amor é algo mais raro, leva mais tempo e é direcionado. O pior é que eu amo também. O gostar é comum, faz parte da rotina apreciar a alguém ou a alguma coisa. Eu queria a calma e o tranquilo conforto de quem sabe onde está. De quem sabe curtir as coisas como elas são, de ter um pouco de surpresa, em vez de enfrentar frustrações cada vez que as coisas não saem como planejado. Em aproveitar as coisas como elas são, não como poderiam ser. E para isso talvez seja preciso guardar as expectativas dentro de uma caixa. Você pode abrir, vez ou outra, pra arrumar a rota e lembrar do que realmente te faz falta. O que não dá é se aprisionar dentro desse baú de memórias não-vividas. Criar duas vidas paralelas: a que acontece, e a que falta.

Parece que quem procura se encher daquilo que lhe falta acaba encontrando mais espaços vazios do que aquilo que transborda do que lhe satisfaz. Não quero pra mim complementos, muletas, não quero preencher os espaços vazios. Se você está na praia, você sabe onde está. É naquele trecho do mapa, exato ponto, que une o azul ao amarelo, o mar à terra, o contorno da costa. Não há trilha fácil. Se vai caminhar pela areia ou pela água, a escolha é sua.


Airton Gabriel

1 comentários:

Beatriz Grebe disse...

AAAAMEI ! Gente, "O que não dá é se aprisionar dentro desse baú de memórias não-vividas" .
Sem palavras !

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